Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
MULHER AO ESPELHO



Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

 

Cecília Meireles

Helen Of Troy, Evelyn De Morgan


...:

publicado por Cleópatra às 19:19
link do post | Comentar | favorito
|


Profile
Setembro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Poesias recentes

LAÇOS ETERNOS

...

FANATISMO

AMOR NAZISTA

PUS O MEU SONHO NUM NAVIO

PELE TROPICANA

O MAPA

PARTITURA DIVINA

SER POETA

TERRA E MAR

Baú da Poesia

Setembro 2008

Julho 2008

Fevereiro 2008

tags

todas as tags


Links
Pesquisar neste blog
 
blogs SAPO
subscrever feeds